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Estudo de odontólogo pode levar a um antibiótico magnético
12:06:44 14/6/2004
Brasília - Pesquisa do odontólogo André Gasparetto no Departamento de Microbiologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP demonstrou, pela primeira vez na literatura científica, que campos magnéticos influem diretamente na virulência microbiana, podendo estimulá-la.
No trabalho, Gasparetto chegou à conclusão de que, sob determinadas condições de influência magnética, a agressividade da levedura Candida albicans (causadora da candidíase) aumenta bastante, podendo favorecer a produção de exoenzimas e o desenvolvimento de infecções.
Gasparetto diz que com os fundamentos agora estabelecidos, espera-se conseguir realizar a recíproca, ou seja, tornar o microrganismo inofensivo. "Na prática isto seria conseguir a médio e longo prazo uma forma de antibiótico magnético, ou simplesmente a exposição aos campos como forma de tratamento de processos infecciosos", afirma o pesquisador.
O antibiótico magnético pode ainda não estar tão perto, mas a técnica desenvolvida já permite algumas aplicações, tais como o estímulo da produção de enzimas microbianas de interesse comercial.
Gasparetto conta que começou a direcionar suas pesquisas para esta área quase que por acidente. "Estava cultivando colônias de Candida albicans em uma estufa quando um dia deparei-me com um fato curioso. As colônias cresciam todas orientadas na mesma direção". O fato despertou a curiosidade do pesquisador: "Isso só pode ser um campo magnético".
Mas apesar de ser esta uma área de pesquisa muito promissora, ela ainda é incipiente demais para que todas as fichas fossem apostadas nela. O resultado foi que para poder elaborar sua tese de doutorado com estas bases, ele precisaria ter algo mais concreto. Então Gasparetto desenvolveu paralelamente um estudo da influência dos campos magnéticos em polímeros utilizados para compor a base de dentaduras.
E nesta parte também obteve sucesso. "Constatei que a influência dos campos magnéticos aumenta a absorção de água deste polímero, o que facilita a formação de colônias de microorganismos", explica ele. A absorção de água faz com que os microrganismos tenham uma aderência muito maior ao polímero, possibilitando que seja desenvolvida uma espécie de filtro microbiano, que teria diversos usos.
Uma das maiores virtudes do trabalho, no entanto, é o método, e não apenas os resultados. O sistema desenvolvido pelo odontólogo está em processo de registro dos direitos autorais, e é composto basicamente de duas placas paralelas de magnetita, que são ímãs naturais. Comparado aos aparelhos usados por laboratórios estrangeiros, o custo de fabricação é irrisório, tornando extremamente acessível este campo de pesquisa, que inclui ainda a polêmica questão da influência de telefones celulares nos seres humanos.
O estudo, que já foi publicado nos Abstracts da Bioelectromagnetics Society e está submetido para publicação no Bioelectromagnethic Journal, teve o apoio da Universidade de Minho (Portugal) e da Universidade Estadual de Maringá (Uem), onde Gasparetto é docente. (Agência USP) Últimas de 26/12/2004
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Fonte: Agencia Brasil
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