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Especial 1 - Sob teto novo, moradores da Vila Irmã Dulce relembram caravana de Lula e ministros
 
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19:12:37 21/12/2004

Alessandra Schwartz

Repórter da TV Nacional


Teresina - Até dois anos atrás, a Vila Irmã Dulce parecia não existir no mapa do território brasileiro. Situada a 15 quilômetros de Teresina, a vila foi criada em 1998 a partir de uma ocupação de terra que resultou em milhares de casas de taipa em meio da caatinga na periferia da capital piauiense. Hoje, a comunidade ocupa 316 hectares e abriga cerca de 7 mil famílias, mas a situação da população já é diferente da época em que Irmã Dulce era conhecida como a maior ocupação organizada de terras da América Latina


Logo em janeiro de 2003, no início do governo Lula, a Vila foi um dos três locais escolhidos pela equipe presidencial para receber a versão oficial das Caravanas da Cidadania. Desde 1993 como coordenador da ONG Instituto Cidadania, destinada à elaboração de políticas públicas, Lula levava especialistas para conhecer as mais diversas regiões do país.


Já presidente, Lula levou 30 de seus ministros à Irmã Dulce, além de à favela de Brasília Teimosa, no Recife, e à cidade de Itinga, no Vale do Jequitinhonha (MG), logo na segunda semana de governo. "Eu venho de uma terra onde se firma acordos olhando no olho. Caráter não precisa de assinatura", afirmou o presidente no palanque montado ao lado da escola em Irmã Dulce. "Eu tinha um compromisso que assumi durante a campanha eleitoral: que eu gostaria de, ganhando as eleições, levar todo o Ministério para conhecer um outro lado do Brasil, para conhecer uma parte da pobreza do Brasil", explicou Lula.


Na ocasião, representantes do Grêmio Comunitário entregaram ao presidente um documento com reivindicações. Os pedidos não iam além de direitos básicos: habitação, saneamento, água, esporte e lazer. A organização dos moradores chamou a atenção dos ministros, e Irmã Dulce foi escolhida como a primeira comunidade a receber um dos novos programas de governo.


A partir da visita da caravana de ministros, o então recém-criado Ministério das Cidades iniciou a aplicação do Programa de Subsídio Habitacional (PSH) na Vila. As casas de taipa, com apenas um cômodo e sem banheiro, estão sendo substituídas por habitações de alvenaria. Em parceria com o governo estadual, o PSH já beneficiou 1.134 famílias. Outras 400 estão cadastradas e aguardando o benefício. Até agora, R$ 5 milhões foram investidos em moradia na Vila Irmã Dulce. Trata-se de um dos maiores projetos do PSH em uma única comunidade.


Cada casa do PSH custa R$ 5,7 mil. O governo federal entra com a maior parte do investimento a fundo perdido, cerca de R$ 4,4 mil. O restante é a chamada contrapartida do governo estadual, além de uma pequena parte financiada pelas famílias. Para ter direito ao benefício, a pessoa não pode possuir outro imóvel, nem ter em seu nome um financiamento imobiliário ou já ter sido beneficiado pela União em relação à moradia. Além disso, o programa prioriza famílias de baixa renda, de até três salários mínimos.


O programa mantido pelo Ministério das Cidades já mudou a realidade de pessoas como Marilene Alves da Silva. Aos 29 anos, mãe de três filhos, ela faz planos para a casa nova que ficou pronta nesta semana. Desempregada, se sustenta com o que ganha do programa Bolsa Família e do artesanato que faz. A maior parte do dinheiro vai para os remédios de uma das filhas, que é doente. Marilene acredita que agora pode dar uma vida mais digna a sua família. "Hoje, eu posso dizer que tenho uma casa e não apenas um barraco. O meu sonho foi realizado e será ainda mais quando puder agradecer pessoalmente ao presidente Lula."


Francisca do Vale Sousa, 50, também se emociona ao lembrar o passado. Na visita do presidente à Vila, ela mostrou para ele a dificuldade que tinha em criar dez filhos na casinha de apenas um cômodo. Hoje, Francisca se orgulha da casa nova com sala, cozinha, quartos e banheiro.



Outra inovação do PSH é que a construção das casas é organizada de forma a gerar emprego na própria comunidade. O Grêmio Comunitário fica responsável pelo recrutamento de pessoas da própria Vila para o trabalho nas construções. Ali, 90% dos adultos não têm emprego fixo.


Além da moradia, o Ministério das Cidades providenciou abastecimento de água potável à Vila Irmã Dulce. Até o mês passado, o abastecimento era feito por poços tubulares, que não tinham capacidade para fornecer água a todos os moradores. O projeto de construção de uma adutora ? parceria entre governos federal e estadual ? resolveu o problema. São 4,2 mil metros de tubo de ferro interligando a rede da Vila Irmã Dulce e de mais 13 bairros da zona Sul de Teresina ao reservatório que abastece toda a capital. Agora, os moradores podem contar com água tratada durante todo o dia.


O Superintendente Operacional da Agespisa (Águas e Esgotos do Piauí), José Maria Freitas, concorda que a vida dos moradores vai melhorar. "O projeto, que custou cerca de R$ 5 milhões, traz definitivamente a água para a Vila Irmã Dulce e adjacências. A qualidade de vida das pessoas vai aumentar drasticamente. E, até o final do projeto, esperamos totalizar 207 mil beneficiados".


Mãe de seis filhos, Maria Pereira dos Santos, 56, recebia água em casa somente uma hora por dia até o mês passado. "Durante essa hora, a gente tinha que lavar os panos, as roupas e encher dois tambores para todo mundo tomar banho à noite. Meus filhos já deixaram de ir para escola porque estavam desidratados e sujos. A partir de agora, vai ser diferente", diz.


As 60 famílias que cuidam da horta comunitária também vão poder aumentar os negócios. O poço do local, que antes tinha de fornecer água para casas próximas, vai ficar só por conta da demanda das plantações, o que, acreditam os moradores, deve aumentar a produção e as vendas. Manoel Messias de Miranda, 47 anos e pais de três filhos, está otimista. "Por causa das despesas com a horta, só sobram R$ 35 por semana. Com um sistema de irrigação melhor, acho que vai dar para dobrar o que eu ganho com a venda dos meus temperos".


Outra reivindicação dos moradores está sendo atendida com a colaboração do Ministério do Esporte. O ginásio poliesportivo, que custou R$ 161 mil (em parceria com o governo estadual) fica pronto em janeiro. "No ginásio, serão desenvolvidas várias modalidades esportivas, como futebol de salão, vôlei e basquete. Antes, nós não tínhamos lugar para fazer eventos, shows, apresentação de grupos de teatro e dança", comemora o diretor de Esportes do Grêmio Comunitário, Francisco de Assis Paiva.


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Fonte: Agencia Brasil